3 de mar de 2010

O ESPELHO DA ALMA

Contam que um contumaz falastrão, arrependido de ter falado demais, maldosamente, procurou se aconselhar com um amigo-conselheiro, exatamente seu oposto, para confessar seu constrangimento com as injúrias, calúnias e mentiras que vinha divulgando.Confissões feitas - censuras do interlocutor posta - restou a indagação: para sua consciência ficar mais aliviada, como remediar? O amigo-conselheiro indicou a aquisição de uma galinha, que caminhasse com a mesma pela rodovia que passava na cidade, fosse arrancando uma a uma suas penas, soltando pela estrada e depois voltasse.Assim fez. Ao retornar procurou novamente o amigo-conselheiro, e deu conta de haver cumprido integralmente a orientação recebida, indagando: e agora, mais alguma coisa? Sim. Faça o mesmo trajeto e junte todas as penas. Impossível respondeu o falastrão. Naturalmente elas se espalharam!Isto é o que acontece com quem se perde pela boca, agride ou deprecia as pessoas, sem responsabilidade ou compromisso com a verdade. Imagine o que deve passar na cabeça do ofendido!Como não há possibilidade de recolhê-las, restarão mágoas, às vezes cobranças de retratação, o que humilha, pelo de negativo que representa, afora a mácula indelével do caráter.Detratar pessoas tem um sério risco. O boca-a-boca se encarrega da divulgação, fugindo do seu controle. Imagine sempre que sua responsabilidade será cobrada, e o preço não será barato. Pense assim, será que você conseguiria segui-las e cancelá-las, se desejasse? Claro que não, daí o custo alto no amanhã.Se algum dia você for tentado a ofender alguém de forma leviana, feche os lábios, especialmente se você já tiver mais idade, e não puder argumentar arroubo ou inexperiência.Palavras, como as abelhas, têm mel e ferrão. Palavra e pedra solta, não têm volta. A leviandade é a razão de quem não tem argumento ou razão.Quando um homem aponta um dedo para alguém, deveria lembrar que quatro estão apontando para ele. Nunca esqueça do pensamento de Juan Luis Vives: nenhum espelho reflete melhor a imagem do homem do que suas palavras.